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1º de maio, o nosso 1º de abril


O primeiro de abril é conhecido como o “dia da mentira”, o dia de pregar uma peça, de fazer uma pegadinha. Essa pegadinha é a narração de um fato qualquer que induza um terceiro a erro, que o faça cumprir o papel de tolo. É uma verdade mentirosa que só se completa quando alguém nela crê. Como aconteciam com os plaisanteries, na França, e como era costume no April Fools Day, na Inglaterra.

No Brasil, algumas mentiras gozadas se tornaram históricas nesta data, como o anúncio da morte de Dom Pedro por um jornal, em 1928, ou as imagens, numa rede de televisão, do Corinthians comemorando o título de campeão do Mundo em 2011, quando ainda não era campeão.

Para resumir: o primeiro de abril é o dia de falar a verdade, “só que não!”.

E tem o primeiro de maio, o dia do trabalho, data em que se comemora a existência de um número infinito de pessoas que dedicam um terço de suas vidas ao trabalho. Trabalho esse que poderia ser conceituado como a forma de dignificar a pessoa – mas, é claro, não para Marx. Ou então como a moeda de troca do trabalhador pela sua subsistência, pela sua sobrevivência.

O trabalho, em verdade, parece-me mais do que isso: é um meio de provar a nós mesmos o quanto podemos ser melhores a cada dia diante dos desafios que ele nos impõe. Pode, por isso, ser uma realização pessoal, pois é por meio dele que nos desenvolvemos enquanto pessoas, já que o trabalho não é apenas a labuta em si, mas também o convívio com o poder (seu ou do outro), com a disciplina, com a descoberta, com o espírito de equipe e com as derrotas, vitórias e conquistas que ele proporciona.

Pode ser tudo isso como verdade, como pode também ser uma mentira, como foi para Marx, um verdadeiro primeiro de abril. Uma forma de enriquecer uma classe pela mais valia.

Mas onde os 29 dias que separam essas duas datas se encontram? No Brasil é fácil de constatar, já que os trabalhadores “comemoraram” neste primeiro de maio uma série de medidas, digamos, pouco dignificantes, como a votação dos projetos de terceirização, a recessão econômica, o aumento do desemprego e os escândalos de corrupção com dinheiro público, ou seja, o dinheiro fruto de seu suor, do seu trabalho.

E pensar que tudo isso poderia mesmo ser uma grande mentira de primeiro de abril...


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