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Marina no Saco da Fazenda (I)


Para compreender o metabolismo socioambiental que vem sendo desenvolvido sobre o projeto ambicioso apresentado pelo porto de Itajaí, com o objetivo de implantar um complexo náutico e ambiental que abrigará uma marina, com um investimento estimado de R$ 35 milhões de reais, torna-se necessário aplicar um modelo de análise crítica de consistência sob o enfoque holístico, ou seja, envolvendo todas as dimensões: ecológicas, econômicas, sociais, políticas, legais, históricas, culturais e éticas. Este processo não pode ser tratado através da visão reducionista dos setores ecológicos e econômicos, sob pena de gerar um efeito masking sobre a realidade.

Em 1984, o Saco da Fazenda se encontrava em acelerado processo entrópico de degradação ambiental resultante da deposição de sedimentos carreados pelas sucessivas erosões hídricas laminares em duas margens, supressão vegetal da cobertura vegetal na faixa marginal de preservação permanente, pesca predatória de peixes e camarões e poluição hídrica provocada pelo lançamento de esgotos sem nenhum tratamento. Então, alguns voluntários e idealistas criaram a associação de Preservação do Saco da Fazenda, que iniciou uma luta para dragagem e recuperação ambiental daquele criadouro natural de peixes e camarões peneídeos em estágio juvenil.

Como membro desta associação e pesquisador do Cepsul/Ibama, cuja sede foi construída dentro dos limites da faixa marginal de APP, tanto daquele ecossistema, como do rio Itajaí-açu; tomei a decisão unilateral e passei a desenvolver estudos e pesquisas sobre as espécies e aquele sistema natural que depende do fluxo e refluxo da maré para manutenção da vida naquele ambiente com baixa salinidade. Além de montar um aquário com as espécies coletadas naquele criadouro natural durante a primeira Marejada, a fim de sensibilizar a sociedade itajaiense sobre a importância da dragagem e recuperação ambiental. Os resultados deste levantamento preliminar mostraram que em sua dimensão física-territorial de 57,8 hectares e batimetria média de 1,20 m; a dinâmica populacional de 33 espécies integrantes da biodiversidade característica deste tipo de ambiente.

Em 1987, a associação de Preservação do Saco da Fazenda encaminhou ao DNOS uma proposta de recuperação ambiental com dragagem, mas a solicitação não logrou o êxito pretendido por falta de articulação política e pela justificativa em executar a obra que estava centrada, unicamente, em argumentos de fundamentação biológica. Porém, em setembro de 1992, poucos dias antes da eleição, a prefeitura colocou uma draga da Cidasc para executar o referido serviço, que na época tinha dois objetivos convergentes: a primeira etapa buscava revitalizar o Saco da Fazenda e utilizar o material “bota-fora” da dragagem para aterrar uma área para implantação de uma marina pública; enquanto que na segunda, um canal paralelo à avenida Ministro Victor Konder, com a finalidade de reter o lançamento dos efluentes e conduzi-los para a foz do rio Itajaí-açu, evitando a contínua poluição hídrica.

Começava assim o primeiro capítulo da marina no Saco da Fazenda que, virtualmente, poderá ser viabilizada, desde que se enquadre dentro dos pressupostos do desenvolvimento sustentável.

* O autor é biólogo e mestre em Educação Ambiental


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