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Magia e farsa


O ano de 1986 parecia ser o ponto das grandes transformações políticas, sociais e econômicas do Brasil: era o início do Plano Cruzado. Instituído em fevereiro, era um conjunto de medidas econômicas do Governo de José Sarney, e pelo então Ministro da Fazenda, Dilson Funaro. Como magia, anunciava o restabelecimento do poder de compra da moeda com a eliminação de três zeros. Os preços de combustíveis, alimentos, produtos de limpeza e serviços foram congelados em tabelas de controle. O mercado tinha as mãos do Governo. A inflação caiu de 12,4% [fevereiro] para 1,4% [outubro], os “fiscais do Sarney” saíram às ruas e os empresários foram considerados “adúlteros” da Pátria Amada Brasil.

Em 15 de novembro ocorreram as eleições gerais e o PMDB foi, isoladamente, o grande vencedor: 22 dos 23 governadores, 260 dos 487 deputados federais e 38 dos 49 senadores. Como o Governo não produz riqueza, e o mercado tem “sua forma de vida”, os produtos ficaram escassos, as prateleiras ficaram vazias e surgiu um mercado paralelo ativado por “ágio”. A balança comercial ficou “violentamente” negativa e as reservas cambiais “desapareceram”. Em seguida, a inflação disparou, a dívida pública explodiu, moratória foi decretada e a economia entrou em colapso. Apenas 6 dias depois das eleições o Governo lançou o Plano Cruzado II. A magia, de repente, se transformou em farsa.

As medidas de controle governamental de preços nunca se moldaram em condição duradoura e estável. A regulação de mercado pelas mãos visíveis do Governo são fluxos que se conversam, mas que não se misturam: líquidos como água e óleo. Sempre que o Governo age como empresário, o mercado se desorganiza; sempre que o mercado faz, o Governo, a corrupção nos desespera.

Planos de Governo que travam e condicionam os preços e o Mercado não fazem mais do que uma magia que encanta em seu início, gera desconfiança na caminhada e desespero no final. E se tudo ...

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Em 15 de novembro ocorreram as eleições gerais e o PMDB foi, isoladamente, o grande vencedor: 22 dos 23 governadores, 260 dos 487 deputados federais e 38 dos 49 senadores. Como o Governo não produz riqueza, e o mercado tem “sua forma de vida”, os produtos ficaram escassos, as prateleiras ficaram vazias e surgiu um mercado paralelo ativado por “ágio”. A balança comercial ficou “violentamente” negativa e as reservas cambiais “desapareceram”. Em seguida, a inflação disparou, a dívida pública explodiu, moratória foi decretada e a economia entrou em colapso. Apenas 6 dias depois das eleições o Governo lançou o Plano Cruzado II. A magia, de repente, se transformou em farsa.

As medidas de controle governamental de preços nunca se moldaram em condição duradoura e estável. A regulação de mercado pelas mãos visíveis do Governo são fluxos que se conversam, mas que não se misturam: líquidos como água e óleo. Sempre que o Governo age como empresário, o mercado se desorganiza; sempre que o mercado faz, o Governo, a corrupção nos desespera.

Planos de Governo que travam e condicionam os preços e o Mercado não fazem mais do que uma magia que encanta em seu início, gera desconfiança na caminhada e desespero no final. E se tudo isso é a magia para eleições, as fraquezas logo aparecerão com data marcada para “olhos arregalados” e “pessoas assustadas”. A magia se transmuta em farsa. O pior dos mundos econômicos é feito pela inflação. Inflação provoca fome, desemprego, muitas notas de dinheiro e pouco poder de compra.

Governos podem criar moedas, mas não produzem riquezas. Governos são como o oxigênio: essenciais para a organização da vida, para garantir a permanência e, ao mesmo tempo, são corrosivos, oxidam as “coisas”. Do oxigênio inspiramos a vida e, como as frutas, criamos camadas de pele para nos proteger de sua corrosão. Oxigênio, como governos, possibilitam a vida e produzem incêndios.

Já temos experiência suficiente para compreender que “bondades governamentais” e seus efeitos eleitorais são, na próxima esquina do tempo, o desespero daqueles que trabalham, a preocupação dos que suam a pele para ter comida à mesa, a dificuldade de tantos em honrar contas. Dormir, nesses tempos, exige mais do que respiração: autocontrole. A emergência que temos não é a da calamidade da guerra atual, tão longe, mas daquela que está por vir entre nós.


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