Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 18/02/2026 10:47
Vivemos esperando sinais.
Antigamente eram cartas, depois telefonemas. Hoje são dois pequenos traços azuis.
O haikai tradicional nasceu no Japão do século XVII, com métrica precisa, referência à natureza e um corte que cria contraste. Já o haikai contemporâneo, especialmente fora do Oriente, mantém o espírito da brevidade e do instante, mas se permite outro cenário: tecnologia, cidade, ansiedade digital.
O poema que escrevi parte desse cotidiano quase invisível. Não há montanhas, nem estações do ano. Há tela, espera, silêncio eletrônico.
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Haikai Moderno 10
📅 6 de fevereiro de 2026
🖋️ Alfa Bile
mensagem não chega
atualiza
sem traços azuis
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Esse haikai fala de comunicação e ausência ao mesmo tempo. O gesto de atualizar a tela é repetitivo, quase automático. A falta dos “traços azuis” — aquele pequeno sinal de leitura — vira suspense emocional.
O instante capturado aqui não é grandioso. É banal. Mas é profundamente humano. A tecnologia não eliminou a ansiedade; apenas a tornou mais visível.
O haikai contemporâneo me permite isso: registrar o microdrama do dia a dia sem explicação, sem comentário, apenas o fato nu. A espera condensada em três linhas.
Às vezes, a poesia não precisa de paisagem.
Basta uma tela acesa.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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