Colunas


Casos e ocasos

Casos e ocasos

Rosan da Rocha é catarinense, manezinho, deísta, advogado, professor e promotor de Justiça aposentado. Sem preconceitos, é amante da natureza e segue aprendendo e conhecendo melhor o ser humano

Muito além da folia: o carnaval revela a diversidade do Brasil — cultura e pluralidade sem pecado


O carnaval é, antes de tudo, um espelho do Brasil. Nele se refletem nossas cores, nossas contradições, nossa criatividade e, sobretudo, nossa diversidade. É uma manifestação cultural que ultrapassa a ideia de festa para se tornar expressão coletiva de identidade e liberdade. Reduzir o carnaval a um simples evento profano é ignorar sua complexidade histórica, social e artística.

Nas ruas, avenidas e praças, o carnaval reúne pessoas de todas as idades, classes sociais, crenças religiosas, orientações sexuais e origens culturais. O empresário dança ao lado do trabalhador informal; o jovem compartilha o espaço com o idoso; famílias inteiras convivem com grupos de amigos; turistas misturam-se aos moradores locais. É um raro momento em que diferenças se diluem e o espaço público se transforma em território de convivência democrática.

A pluralidade do carnaval também se manifesta nas suas múltiplas formas: blocos de rua, escolas de samba, trios elétricos, festas tradicionais do interior, manifestações afro-brasileiras, indígenas e regionais. Cada ritmo, fantasia e cortejo carrega uma narrativa própria, revelando que não existe um único carnaval, mas muitos carnavais coexistindo em harmonia. É cultura viva, em constante reinvenção.

As críticas que classificam a festa como essencialmente profana costumam ignorar que o carnaval não é um evento religioso, mas cultural. Ele não pretende substituir crenças nem competir ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

Nas ruas, avenidas e praças, o carnaval reúne pessoas de todas as idades, classes sociais, crenças religiosas, orientações sexuais e origens culturais. O empresário dança ao lado do trabalhador informal; o jovem compartilha o espaço com o idoso; famílias inteiras convivem com grupos de amigos; turistas misturam-se aos moradores locais. É um raro momento em que diferenças se diluem e o espaço público se transforma em território de convivência democrática.

A pluralidade do carnaval também se manifesta nas suas múltiplas formas: blocos de rua, escolas de samba, trios elétricos, festas tradicionais do interior, manifestações afro-brasileiras, indígenas e regionais. Cada ritmo, fantasia e cortejo carrega uma narrativa própria, revelando que não existe um único carnaval, mas muitos carnavais coexistindo em harmonia. É cultura viva, em constante reinvenção.

As críticas que classificam a festa como essencialmente profana costumam ignorar que o carnaval não é um evento religioso, mas cultural. Ele não pretende substituir crenças nem competir com valores espirituais; ao contrário, convive com eles. Muitos foliões participam da festa e mantêm suas convicções religiosas intactas, demonstrando que alegria popular e fé não são conceitos incompatíveis. A liberdade de celebrar não anula a liberdade de acreditar — ambas podem coexistir com respeito mútuo.

Além disso, o carnaval possui forte dimensão econômica e social. Movimenta turismo, gera empregos temporários e permanentes, fortalece cadeias produtivas ligadas à música, costura, cenografia, gastronomia e serviços. Para milhares de famílias, é fonte legítima de renda. Para artistas e comunidades, é palco de valorização cultural e reconhecimento.

Há ainda um aspecto simbólico importante: o carnaval funciona como válvula de expressão social. Ele permite críticas políticas bem-humoradas, sátiras e reflexões que dificilmente encontrariam o mesmo espaço em outros contextos. O riso, a paródia e a fantasia tornam-se instrumentos de diálogo social e, muitas vezes, de conscientização.

Isso não significa negar que excessos possam ocorrer — como em qualquer grande evento humano. Contudo, excessos não definem a essência da festa. Generalizar comportamentos isolados para rotular todo o carnaval é simplificar um fenômeno cultural riquíssimo e historicamente consolidado.

Defender o carnaval não é impor que todos participem, mas reconhecer seu valor como patrimônio cultural e espaço de diversidade. Em uma sociedade plural, é natural que existam diferentes formas de celebração e diferentes escolhas individuais. O que se espera é respeito recíproco: quem não deseja participar tem o direito de se afastar, assim como quem deseja celebrar tem o direito de fazê-lo.

O carnaval, em sua essência, é celebração da vida coletiva, da arte popular e da convivência entre diferenças. É um momento em que o Brasil se vê em cores vibrantes e sons intensos, lembrando que a pluralidade não é ameaça — é riqueza. Rechaçar a festa como mera profanação é perder a oportunidade de enxergá-la como aquilo que realmente é: uma das mais autênticas expressões da diversidade cultural brasileira.

Então, vista sua fantasia, aproveite, brinque, pule e divirta-se. E aquele que não gosta do carnaval, respeite-o.


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Punição prevista em lei pra maus-tratos a animais funciona no Brasil?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Colunistas

Asfalto chega a quase 60 graus em Itajaí

Charge do Dia

Asfalto chega a quase 60 graus em Itajaí

Aurora em Cabeçudas

Clique diário

Aurora em Cabeçudas

Fiesc pede cautela na agenda 6x1

Coluna Acontece SC

Fiesc pede cautela na agenda 6x1

Carnaval já começou no Guarani

Jackie Rosa

Carnaval já começou no Guarani

Osmar tá on em Barra Velha

JotaCê

Osmar tá on em Barra Velha




Blogs

Marcílio Dias: ou ganha ou ganha

Blog do JC

Marcílio Dias: ou ganha ou ganha

Warsan Shire. - Quando a casa vira boca de tubarão

VersoLuz

Warsan Shire. - Quando a casa vira boca de tubarão

Para onde está indo a nossa saúde mental, como indivíduos e como coletividade?

Espaço Saúde

Para onde está indo a nossa saúde mental, como indivíduos e como coletividade?

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

A bordo do esporte

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.